SOCIEDADE ANTI-EROS

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A sociedade Anti-Eros, está pautada na fragmentação. Invade espaços públicos e especialmente privados…Isto porque, este modelo Anti-Vida, Anti-Gozo, Anti-Amor, sobrevive através de massiva “educação” ou melhor, propaganda ideológica-comportamental.

Tudo vai sendo estilhaçado em partições e repartições, a hora da picada de cartão, de almoço, de saída, do rush, tudo isto invade a cabeça e limita o corpo de forma assombrosa.

Tenho pouca experiência em ofícios que exigissem este tipo de condicionamento, mas da pouca experiência que tenho, pareceu-me inequívoco a insalubridade deste tipo de ocupação.
Haverá quem se adapte, quem até mesmo goste, dá uma sensação, que provavelmente seja falsa, de disciplina e organização!

Mas onde sentimos de fato o peso e o pesado da coisa toda, estão no embotamento mental e na exaustão vital!

Que diremos então das dificuldades empáticas? Afetivas? Emocionais?

A sociedade é Anti-Eros por diferentes motivos, mas talvez o principal deles, é que a mão de obra tornar-se-ia muito cara e de difícil “domesticação”!

Isto não afetaria apenas a produção, mas certamente teria impacto no consumo!
Porque gente muito gozosa e gostosa, dá trabalho para escravizar e consome muito menos também!

Por isto, penso que o sexo foi particionado, fragmentado, coisificado de uma forma extremamente mecânica e pouco sensível!

Tanto em relação ao ato em si, quanto nas classificações de gênero e orientação do desejo!
O impacto desta concepção fabril da sexualidade, atinge não apenas os sujeitos em relação, mas o indivíduo em relação consigo mesmo!

A neurose, as disfunções sexuais, as enfermidades todas frutificadas à partir desta inconsciência corporal, psíquica e emocional, marcada por um declínio constante da criatividade e das habilidades de desenvolver intimidade, cooperação, diálogo, cumplicidade, respeito e empatia, são sobremodo lucrativas!

Tanto quanto uma sexualização inconsequente e insensível também o são!
Quando contemplamos discursos e comportamentos, por exemplo, fóbicos a modos e orientações outras do desejo e da identidade, podemos perceber claramente que, mais do que a aversão ao diferente, existe de fato uma rejeição profunda do IGUAL!

Uma negação brutal da VIDA e do AMOR!
Porque é ao redor disto que gravitam todas as nossas atividades, desde o inconsciente até a mente de vigília!

Uma sociedade Anti-Vida e Anti-Amor, só pode existir através do convencimento (propaganda ideológica pesada) e através da subserviência (derrocada da força vital e da inteligência).
Se estou certo nestas reflexões, então, não é de se estranhar que exista tanta ignorância, desamor e ódio!

Não é mesmo?

Alguém poderia objetar e dizer que, na verdade, a maioria dos cidadãos são pessoas de bem, e que nunca atuariam como algozes ou criminosos!
Será?

Dê-lhes um cargo, dê-lhes um holofote, dê-lhes legalidade para exercitar o tal do PHODER, e vejamos como se saem!

Talvez seja pessimismo meu, mas bastando uma pequena espiadela mais atenta, por exemplo, neste espaço virtual e plural do Facebook, sem apaixonamentos, sem envolvimento cego, apenas um olhar sincero e atento de tudo quanto se publica, e veremos como as coisas, estas particularidades do humano Anti-Eros, não são assim tão abstratas ou especulativas!

Mesmo quem está na lida, na luta, envolvidos com alguma militância muito oportuna, não está livre de exercitar conflito, dicotomia, fobia, aversão e ódio!
Da Constituição da República Federativa do Brasil, poderia tirar vários trechos de valor incomensurável. Originalmente, ao escrever este texto, assim o fiz, mas detive-me, já que isto ficaria imenso.

Qualquer pessoa pode ler e se orientar a respeito da Constituição, nada de complicado.
Diante da leitura de tal documento oficial, a pergunta que não quer calar é:
É UM FATO? É APLICADO COM AUSTERIDADE? É A IMAGEM FIEL DA REALIDADE COTIDIANA?

A validação e aplicação deste documento, não cabe apenas às ditas “autoridades” ou ao Estado, é de direito e de dever de todo brasileiro.
Observando a vida, os encontros, os desencontros, a impunidade, as lutas, as falcatruas, eu fico com aquela sensação, traduzida numa imagem:

A Bíblia aberta em alguma página dos Salmos de Davi, numa sala onde as pessoas se agridem, até mesmo se espancam!
Ainda me resta amargar a possibilidade alta, de que alguém, por não ir muito com a minha cara, o que não é nenhum problema, com a minha cara vou eu mesmo, venham distorcer o dito, encontrando outros valores e sentidos, que justamente dão “legalidade judicial de consciência” para benzer o Anti-Eros em si mesmos!

Sei bem como é…Nasci dentro desta sociedade…as grades já estavam postas antes de eu nascer!
Também tenho de lidar com o “Trojan Horse” instalado aqui!

Confesso: Por vezes é desalentador…exaustivo…até mesmo desesperador…