O que é o MahaSamadhi?

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Todas as escrituras de relevância tanto do Tantra como do yoga preconizam que só é possível a realização espiritual através da experiência de Samadhi. Esta palavra já foi traduzida e explicada de diferentes maneiras, algumas interpretações bem contraditórias ou mesmo fantasiosas. Precisamos compreender a meta do cultivo interior antes de tratarmos sobre o assunto principal do mahasamadhi, ou assemelharíamos com alguém que toma um trem desconhecido rumo a lugar nenhum.

O destino daquele que adentra a senda do yoga é a plena realização de si, o que pode ser traduzido como autonomia real, de pensamento, sentimento e também nos diversos papeis que exercemos socialmente. O yoga proporciona auto-conhecimento o que possibilita por sua vez a completa liberação dos condicionamentos e reações mecânicas , sejam elas inconscientes ou resultado da exposição e imitação social. O yogue definitivamente é um “desgarrado”, um “do contra”, alguém que saiu da manada e busca “algo mais”, não necessariamente na vida comum, no gozo dos sentidos, mas o “algo” oculto em si mesmo, a sua real natureza.

Fica subentendido então que cada um de nós possui uma natureza real e uma natureza fictícia ou adquirida. Nossa natureza real foi chamada de espírito, alma, atmã, Ser, etc. A natureza fictícia foi construída através de nossas experiências no mundo e o ajuste inevitável que sofremos para enquadrarmo-nos nos diversos contextos sociais, ela é essencialmente o peso do passado, que interfere diretamente em nossa percepção, tornando-a embotada, limitada e distorcida.

Esta “força condicionada” é o que nubla a percepção do mundo e do Ser, interferindo sempre sobre o observador e o objeto observado. Um comentarista chato narrando o óbvio, expressando sua opinião, mesmo que ninguém a tenha pedido.

Esta distorção é sintomática, ela deriva dos condicionamentos poderosos de apego àquilo que foi agradável em nossas experiências, a aversão, àquilo que definitivamente não foi agradável em nossas vidas e na insensibilidade e apatia surgida das experiências neutras. Indo diretamente ao cerne da questão, o condicionamento é essencialmente medo.

Tememos o passado, mesmo que nossos pensamentos supostamente tratem sobre o futuro, tememos que o passado repita-se no desagradável ou que o prazer vivido seja perdido, não volte, não permaneça, e é esta sua real natureza, aliás, a real natureza de todos os sentimentos, pensamentos, sensações, e situações da vida,agradáveis ou desagradáveis. Tudo esta fluindo em constante transformação, mudando continuamente. Podemos dizer que no universo material apenas a impermanencia é permanente.

Isto precisa ser revelado, percebido, vivido. E Samadhi é a percepção da realidade como ela é.
Para que a verdade sobre o mundo e o Ser possam ser “vistas” diretamente, precisaremos pacificar as águas agitadas de nosso mundo externo e interno, então Samadhi é o resultado natural da pratica inteligente da meditação, visto que Samadhi é a própria contemplação como poderemos comprovar na etimologia da palavra:

Samadhi = samyag- adequado,correto, adhi –contemplação.

Nos textos filosóficos sobre yoga, o assunto principal sempre gravita sobre o como obter Samadhi, lemos no Muktikopanishad:

“Ele é obtido através da prática prolongada de dhyana.”

Gostaria de citar outro texto em que aponta-se a qualidade mental alcançada no Samadhi, quando o observador vê a natureza real do objeto observado e com ele se funde completamente, então observador e observado se dissolvem na observação, lê-se no Amritanadopanishad:

“Quando a consciência atinge um estado no qual se torna uniforme (não dual), isto é Samadhi.”

Assim entendo que neste estado de consciência (tomada de serenidade, atenção descontraída e natural) alcança-se vários graus de percepção da verdade, ou seja, da realidade, daquilo que pode ser visto diretamente. Segundo o yogue Vyasa “Yoga é Samadhi”. O caminho do yoga que leva até o Samadhi é o próprio Samadhi vivido no Sadhana- na disciplina espiritual.

Nos yoga sutras do sábio Patânjali, o cultivo interno é realizado em oito partes (ashtanga sadhana), Iniciando pela observância inteligente da vida (do yogue com ele mesmo, com os seres e meio circundante) chamado Yama e Nyama, seguido pela prática de asana, a estabilização do corpo e também da consciência, pranayama a regulação do fluxo da energia vital e da respiração, não se tratando exatamente de exercícios respiratórios, mas da regulação espontânea da força vital, encaminhando-se para pratyahara a abstração dos sentidos através da introspecção, que flui na direção de Dharana (atenção estável), Dhyana (contemplação meditativa) e finalmente em Samadhi a comunhão.

O Samadhi ainda divide-se em Sabija Samadhi, com diferenciação, quando ainda resta um bija, ou seja, semente, do sentimento de “eu” ou mesmo do objeto aplicado na contemplação, como por exemplo, um mantra, a respiração, as sensações etc. E Nirbija Samadhi, ou contemplação sem nenhuma semente, onde a percepção de qualquer diferenciação termina radicalmente.

Nirbija Samadhi é resultado natural de Sabija Samadhi, como um rio que corre em direção ao mar, vai fluindo no yogue as etapas de Asana, Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana, Sabija e Nirbija Samadhi naturalmente. Todas as etapas do caminho podem ser evidenciadas pelo yogue numa única “sentada” para meditar.

Na medida em que o Samadhi, a contemplação adequada da unidade indiferenciada, amadurece e se fortalece no yogue, ele poderá sentir que sua prática não se reduz ao momento de sentar-se em meditação, mas que aquela qualidade mental de equanimidade, serenidade e sensibilidade, passam a lhe acompanhar durante todo o dia, mesmo entre suas atividades. Quando surge no devoto esta recordação espontânea de “si mesmo” chamo-a de Sahaja Samadhi, contemplação natural e sem esforço.

Sahaja é o resultado de Prajna – sabedoria, que é a compreensão das leis naturais que regem o universo. O oceano final em que este rio deságua é Moksha ou Mukti, podemos traduzir estas palavras sânscritas como: libertação espiritual, a saída do ciclo de renascimentos e mortes, para aqueles que acreditam na reencarnação, ou mesmo na quebra da reprodução inconsciente de pensamentos e atitudes condicionadas por valores religiosos, familiares ou sociais, o que também não deixa de ser uma roda de sofrimento da qual precisamos nos libertar.

Mas ainda existe outra qualidade de Samadhi, considerado um Samadhi de tipo superior e que estaria ligado invariavelmente com Moksha ou Mukti , Mahasamadhi , ou grande comunhão, designando o desenlace consciente do corpo físico por um Yogue no momento de sua morte.

Relata o Bhagavad Gita na fala esclarecedora de Krishna:

“… E aquele que deixa a vida mortal e mantém o pensamento fixo em mim( o Ser supremo), somente este, liberto dos vínculos da carne, entra no estado da minha suprema realidade…Aquele, ó filho da Terra, que ao separar-se do corpo material mantiver a consciência focalizada no mundo carnal ou espiritual, atingirá aquele estado com o qual estiver identificado, porque cada um se assemelha ao que ama…Traze-me pois, sem cessar em teu coração e age com valor, na certeza de que também tu me alcançarás, se de mente e alma permaneceres firmado em mim…É esta a senda suprema trilhada por todo homem que fecha os olhos ao mundo objetivo, que domina o seu coração e, pela força vital do prana, aspirado e focalizado entre as sobrancelhas, silenciosamente proferir o eterno OM na consciência de Brahman (Deus ou o absoluto informe)…”

Samadhi é contemplação adequada, contemplação adequada é a aplicação da atenção e sensibilidade livre de preferências e escolha, Samadhi é equanimidade que leva a percepção da Verdade.

E qual é a verdade? De que tudo esta conectado pela força do Amor, de que tudo é unidade e que o destino da Vida é a Plenitude.

Inspirando e expirando oferecendo o fluxo vital à Realidade suprema, exercitamo-nos na contemplação para saber viver, com alegria e amor, e para saber morrer, com devoção e paz!

Depressão é pra quem pode!

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Hoje vamos de prosa poética. Uma mistura de fluxo de consciência com cadência e sem sofrência, porque tristeza muita não tira ninguém do lugar. Já diriam os depressivos.

Aliás, hoje eu queria falar sobre eles: os depressivos, tristes, melancólicos, deprimidos, pessoas viciadas em tristeza que curtem uma vibe pra baixo, saca?

Já repararam como isso é doença de gente rica? Nunca vi as empregadas de casa reclamarem que estão com depressão, sem vontade de viver, ou pensando em suicídio. Sempre que esse papo chega até minhas orelhas ele vem de um burgues que não tem onde enfiar dinheiro e reclama da vida…

O Romantismo enciclopédico

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De acordo com a nossa fantástica mãe de todas as fontes de informação, a Wikipedia, Romantismo quer dizer:

O romantismo foi um movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século XVIII na Europa que durou por grande parte do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo e buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.

Inicialmente apenas uma atitude, um estado de espírito, o romantismo toma mais tarde a forma de um movimento, e o espírito romântico passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos e desejos de escapismo. Se o século XVIII foi marcado pela objetividade, pelo iluminismo e pela razão, o início do século XIX seria marcado pelo lirismo, pela subjetividade, pela emoção e pelo eu.

O termo romântico refere-se ao movimento estético, ou seja, à tendência idealista ou poética de alguém que carece de sentido objetivo.

O romantismo é a arte do sonho e fantasia. Valoriza as forças criativas do indivíduo e da imaginação popular. Opõe-se à arte equilibrada dos clássicos e baseia-se na inspiração fugaz dos momentos fortes da vida subjetiva: na fé, no sonho, na paixão, na intuição, na saudade, no sentimento da natureza e na força das lendas nacionais.

(fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Romantismo)

Romantismo é uma tristeza sem fim e sem graça, que transforma toda emoção em sofrimento, pois coloca o desejo como único agente de movimento de todos os personagens. Tudo e todos são movidos pelo desejo.

Mas e se esse desejo desaparecesse? Fosse sublimado, transformado em pó?

 

Vivendo em condomínio

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A vida inteira eu morei em casas abertas na rua…

Agora, desde que me mudei aqui pra Cabo Frio, moro em um condomínio fechado, cheio de mansão bacana… coisa de milionário mesmo!

Desde que o papai vendeu a empresa tem sido essa mordomia. agora ele tá trabalhando com uma consultoria online e tem bem mais tempo pra família. Aí, egou grande parte da grana da venda e nos trouxe pra esse lugar lindo.

Mas as pessoas daqui são muito frias

mal se olham nos olhos

mas se cumprimentam

todos andam com medo, com os vidros fechados

eu não vi nenhuma criança jogando bola em nenhuma das ruas largas, tampouco nas quadras iluminadas à noite.

como se o muro que eles ergueram não servisse de nada.

É muito triste isso.

Eu me apaixonei por um garoto aqui do condomínio. Ele deve ter seus 20 e poucos anos, pinta de surfistinha, maconheiro sem-vergonha, daqueles que organiza a rockonha e faz todo mundo dançar! Mas ele já tá tão dentro desses padrões cretinos que eu prefiro nem me esforçar muito.

Essa paixão tá com mais cara de tesão do que qq outra coisa

#prontofalei

Can’t complain about living in Cabo Frio

Galeria

It’s been a few weeks since we moved here and so far so good!

Loving every minute in our new place!

Meu coração que não me deixa voar

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O sábado passou todo em branco

empalidecido

sem som sem brilho

sem você

sem o telefone tocar

sem o teu sorriso aparecer

sem som sem brilho

sem você

 

Esse final de semana tá sendo bastante melancólico. Não tem nada pra fazer a não ser ficar aqui vendo besteira na internet e pensar em você que sequer sabe que eu existo.

Você aí na sua mansão milionária, importante demais pra prestar atenção em quem vive no mesmo condomínio que você. Talvez o motor da sua BMW tenha feito tanto barulho que você tenha ficado surdo. Talvez tenha enfiado a mont blanc no próprio tímpano.

Mas você não percebe. Não sente. Sequer imagina o que acontece no meu corpo quando a tua figura se apresenta. Não consigo nem imaginar o que seria o toque, a intimidade…

Mas São apenas devaneios. Sonhos que não se sustentam em nada

como sonhos…