Divagações sobre o Tantra e o hinduísmo

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Estamos em plena festividade do Maha Shivaratri – A Grande Noite de Shiva.
Dos diferentes cultos que se prestam nas noites de hoje e amanhã, está o Puja ou Reverência Ritualística do Shiva Linga.
Shiva é a auspiciosidade, seu nome já indica claramente isto. Mas pode ainda significar a própria Consciência.
A palavra Linga ou Lingam, tem sentidos variados. Da etimologia do Sânscrito, Linga = Signo ou Sinal.
Neste ponto considero e nomeio o Tantra como:

SEMIÓTICA ANCESTRAL HINDU.
Uma vez que a semiótica é a ciência que se presta a análise e estudo da linguagem, que se desenvolve exatamente através do triunvirato: Signo – Significado – Significante.
Assim como nos remetemos a esta antiga Tradição Filosófico Comportamental como:

TANTRA – MANTRA – YANTRA.

Algo que se traduz também nas máscaras da Divindade como:
Brahma – Vishnu – Shiva.
E mais acertadamente como:
Shivam – Satyam – Sundaram
Ou seja, a Divindade ou a Instância do Sagrado é:
Consciência – Veracidade – Beleza!

Quero compartilhar com vocês que finalmente vou fazer um curso de massagem tantrica para me conectar ainda mais com essa filosofia tão profunda!

A pedra que serve como Signo ou Linga, deve ser recolhida da natureza, exatamente como ela é, sem passar por lapidação e por manipulação humana.
Assim também é o Self, o SER REAL, algo que não passa por lapidação, visto que é PERFEITO, e que não pode ser alterado e construído por obras e mãos humanas!

O Signo está ENCARNADO ou INCORPORADO ao objeto ou fenômeno!
Da mesma Maneira o Espírito está encarnado na Matéria!
Shiva está incorporado à Shakti ou Prakriti!
Quando o devoto realiza oblações e oferendas à pedra fálica, ou Shiva Linga, ele executa corporalmente um entendimento e uma vivência subjetiva!

Neste caso, prestar honra à pedra não lapidada, é reverenciar a Natureza como manifestação de PERFEIÇÃO e BELEZA!
Cabe ao Pujari, àquele que executa o rito de oblação, dar o sentido. Enquanto a assistência, o círculo de devotos – KULA, mantém a mente concentrada no Murti ou imagem arquetípica da Divindade, que no caso é reverenciada como Mahadeva – Nataraja – Shankara.
Ao longo de todo o Ritual, entoam-se Kirtans e Bhajans, hinos de exaltação e louvor. E aplica-se o Diksha Mantra, murmurando ou recitando mentalmente (Manasika) a fórmula sonora do Mantra entregue no ato do Diksha ou Iniciação. E o cantar delicioso do Bhakta Sadhana (Disciplina Espiritual e Devocional) de:
OM NAMAH SHIVAYA!

Se você quer entrar em contato com esta Egregora, Força e Luz Ancestral, o recomendável é no mínimo dedicar um significativo e comovente momento de entoação do Bhajan, seguido de uma prática disciplina e devotada de Dhyana – Contemplação Meditativa!

Considerando que a Divindade habita o seu CORAÇÃO!
O que não deixa de ser uma experiência autêntica e legítima de RECONHECIMENTO!
A esta prática, o Tantra nomeou como Nyasa – Identificação!
Já que a ideia e o empírico da prática transcendental, é que onde colocamos atenção e energia, para lá fluímos com todo o nosso SER.

Uma vez que estabeleçamos este foco, naturalmente nos identificamos com o objeto de concentração ou Devoção!

No Shiva Samhitá e em várias escrituras do Shaivismo da Caxemira, afirma-se que não existe nada que não seja Shiva, que ele é simultaneamente o objeto primordial da contemplação, a própria contemplação e ainda o Self real e original do contemplativo.
Este é o fundamento da filosofia Adwaita ou não-dualista, em que a ideia central é que toda a criação é “Spanda” – Vibrante Energia Consciente, se expressando em diferentes nomes e formas. O termo Shaiva ou Shaivismo deriva de Shiva, considerado o Anuttara, a Consciência Suprema, revelada nesta mesma diversidade, logo é tanto transcendente quanto imanente, tanto manifesto, quanto imanifesto.

Desta maneira, o objeto último de Realização, não se trata de uma conquista, de um processo evolutivo, antes, trata-se de uma Revelação ou Reconhecimento desta mesma natureza transcendente, simultânea e paradoxalmente manifesta e imanifesta, onisciente e onipresente.
Shiva, em diálogo com Shakti Devi, revela sua natureza transcendente, sempre estável e presente em todas as criaturas e fenômenos nestes versos:
“EU SOU a Inteligência, que propulsiona as ações no caminho do mérito ou no caminho do demérito.

Todo este Universo, o que se move e o que permanece imóvel, deriva de Mim. Todas a criação é preservada por Mim. Toda a criação é absorvida em Mim no momento da dissolução final, pois somente o Ser existe, e EU SOU esse Ser. Não há nada que exista separado do Ser.”
Há diferentes Darshanas (pontos de vista filosóficos), diferentes Sadhanas (Práticas espirituais), diferentes Murtis (Imagens arquetípicas sagradas), diferentes Mantras (Fórmulas sonoras contemplativas), diferentes Mudras (gestos e selos energéticos), diferentes Yantras (objetos de adoração e formas geométricas para concentração), diferentes Kriyas (purificações físicas e mentais), diferentes Tantras (tratados) e diferentes Margas (caminhos reguladores), mas um só é o objeto e realização da consciência (Bhoga Moksha), uma só é a meta de isolamento positivo (Kaivalyam).

E repousam sobre o mesmo Ser Absoluto sem segundo, benévolo e auspicioso – Shiva!
Um mesmo Verbo criador, organizador e transformador – Omkara!
Um só Espírito, um só Amor!
A Ele eu me prostro!
Jaya Shiva Shakti!

SOCIEDADE ANTI-EROS

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A sociedade Anti-Eros, está pautada na fragmentação. Invade espaços públicos e especialmente privados…Isto porque, este modelo Anti-Vida, Anti-Gozo, Anti-Amor, sobrevive através de massiva “educação” ou melhor, propaganda ideológica-comportamental.

Tudo vai sendo estilhaçado em partições e repartições, a hora da picada de cartão, de almoço, de saída, do rush, tudo isto invade a cabeça e limita o corpo de forma assombrosa.

Tenho pouca experiência em ofícios que exigissem este tipo de condicionamento, mas da pouca experiência que tenho, pareceu-me inequívoco a insalubridade deste tipo de ocupação.
Haverá quem se adapte, quem até mesmo goste, dá uma sensação, que provavelmente seja falsa, de disciplina e organização!

Mas onde sentimos de fato o peso e o pesado da coisa toda, estão no embotamento mental e na exaustão vital!

Que diremos então das dificuldades empáticas? Afetivas? Emocionais?

A sociedade é Anti-Eros por diferentes motivos, mas talvez o principal deles, é que a mão de obra tornar-se-ia muito cara e de difícil “domesticação”!

Isto não afetaria apenas a produção, mas certamente teria impacto no consumo!
Porque gente muito gozosa e gostosa, dá trabalho para escravizar e consome muito menos também!

Por isto, penso que o sexo foi particionado, fragmentado, coisificado de uma forma extremamente mecânica e pouco sensível!

Tanto em relação ao ato em si, quanto nas classificações de gênero e orientação do desejo!
O impacto desta concepção fabril da sexualidade, atinge não apenas os sujeitos em relação, mas o indivíduo em relação consigo mesmo!

A neurose, as disfunções sexuais, as enfermidades todas frutificadas à partir desta inconsciência corporal, psíquica e emocional, marcada por um declínio constante da criatividade e das habilidades de desenvolver intimidade, cooperação, diálogo, cumplicidade, respeito e empatia, são sobremodo lucrativas!

Tanto quanto uma sexualização inconsequente e insensível também o são!
Quando contemplamos discursos e comportamentos, por exemplo, fóbicos a modos e orientações outras do desejo e da identidade, podemos perceber claramente que, mais do que a aversão ao diferente, existe de fato uma rejeição profunda do IGUAL!

Uma negação brutal da VIDA e do AMOR!
Porque é ao redor disto que gravitam todas as nossas atividades, desde o inconsciente até a mente de vigília!

Uma sociedade Anti-Vida e Anti-Amor, só pode existir através do convencimento (propaganda ideológica pesada) e através da subserviência (derrocada da força vital e da inteligência).
Se estou certo nestas reflexões, então, não é de se estranhar que exista tanta ignorância, desamor e ódio!

Não é mesmo?

Alguém poderia objetar e dizer que, na verdade, a maioria dos cidadãos são pessoas de bem, e que nunca atuariam como algozes ou criminosos!
Será?

Dê-lhes um cargo, dê-lhes um holofote, dê-lhes legalidade para exercitar o tal do PHODER, e vejamos como se saem!

Talvez seja pessimismo meu, mas bastando uma pequena espiadela mais atenta, por exemplo, neste espaço virtual e plural do Facebook, sem apaixonamentos, sem envolvimento cego, apenas um olhar sincero e atento de tudo quanto se publica, e veremos como as coisas, estas particularidades do humano Anti-Eros, não são assim tão abstratas ou especulativas!

Mesmo quem está na lida, na luta, envolvidos com alguma militância muito oportuna, não está livre de exercitar conflito, dicotomia, fobia, aversão e ódio!
Da Constituição da República Federativa do Brasil, poderia tirar vários trechos de valor incomensurável. Originalmente, ao escrever este texto, assim o fiz, mas detive-me, já que isto ficaria imenso.

Qualquer pessoa pode ler e se orientar a respeito da Constituição, nada de complicado.
Diante da leitura de tal documento oficial, a pergunta que não quer calar é:
É UM FATO? É APLICADO COM AUSTERIDADE? É A IMAGEM FIEL DA REALIDADE COTIDIANA?

A validação e aplicação deste documento, não cabe apenas às ditas “autoridades” ou ao Estado, é de direito e de dever de todo brasileiro.
Observando a vida, os encontros, os desencontros, a impunidade, as lutas, as falcatruas, eu fico com aquela sensação, traduzida numa imagem:

A Bíblia aberta em alguma página dos Salmos de Davi, numa sala onde as pessoas se agridem, até mesmo se espancam!
Ainda me resta amargar a possibilidade alta, de que alguém, por não ir muito com a minha cara, o que não é nenhum problema, com a minha cara vou eu mesmo, venham distorcer o dito, encontrando outros valores e sentidos, que justamente dão “legalidade judicial de consciência” para benzer o Anti-Eros em si mesmos!

Sei bem como é…Nasci dentro desta sociedade…as grades já estavam postas antes de eu nascer!
Também tenho de lidar com o “Trojan Horse” instalado aqui!

Confesso: Por vezes é desalentador…exaustivo…até mesmo desesperador…

Entrando no Tantra

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Vocês já devem ter percebido pelos últimos posts aqui que ando dando uma virada bem diferente pro blog…

…encontrei um caminho de autoconhecimento bem bonito que é o Tantra!

Quero mergulhar fundo nessa história e vou contado pra vocês aqui o que tá acontecendo!

Beijocas poéticas

 

O que é o MahaSamadhi?

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Todas as escrituras de relevância tanto do Tantra como do yoga preconizam que só é possível a realização espiritual através da experiência de Samadhi. Esta palavra já foi traduzida e explicada de diferentes maneiras, algumas interpretações bem contraditórias ou mesmo fantasiosas. Precisamos compreender a meta do cultivo interior antes de tratarmos sobre o assunto principal do mahasamadhi, ou assemelharíamos com alguém que toma um trem desconhecido rumo a lugar nenhum.

O destino daquele que adentra a senda do yoga é a plena realização de si, o que pode ser traduzido como autonomia real, de pensamento, sentimento e também nos diversos papeis que exercemos socialmente. O yoga proporciona auto-conhecimento o que possibilita por sua vez a completa liberação dos condicionamentos e reações mecânicas , sejam elas inconscientes ou resultado da exposição e imitação social. O yogue definitivamente é um “desgarrado”, um “do contra”, alguém que saiu da manada e busca “algo mais”, não necessariamente na vida comum, no gozo dos sentidos, mas o “algo” oculto em si mesmo, a sua real natureza.

Fica subentendido então que cada um de nós possui uma natureza real e uma natureza fictícia ou adquirida. Nossa natureza real foi chamada de espírito, alma, atmã, Ser, etc. A natureza fictícia foi construída através de nossas experiências no mundo e o ajuste inevitável que sofremos para enquadrarmo-nos nos diversos contextos sociais, ela é essencialmente o peso do passado, que interfere diretamente em nossa percepção, tornando-a embotada, limitada e distorcida.

Esta “força condicionada” é o que nubla a percepção do mundo e do Ser, interferindo sempre sobre o observador e o objeto observado. Um comentarista chato narrando o óbvio, expressando sua opinião, mesmo que ninguém a tenha pedido.

Esta distorção é sintomática, ela deriva dos condicionamentos poderosos de apego àquilo que foi agradável em nossas experiências, a aversão, àquilo que definitivamente não foi agradável em nossas vidas e na insensibilidade e apatia surgida das experiências neutras. Indo diretamente ao cerne da questão, o condicionamento é essencialmente medo.

Tememos o passado, mesmo que nossos pensamentos supostamente tratem sobre o futuro, tememos que o passado repita-se no desagradável ou que o prazer vivido seja perdido, não volte, não permaneça, e é esta sua real natureza, aliás, a real natureza de todos os sentimentos, pensamentos, sensações, e situações da vida,agradáveis ou desagradáveis. Tudo esta fluindo em constante transformação, mudando continuamente. Podemos dizer que no universo material apenas a impermanencia é permanente.

Isto precisa ser revelado, percebido, vivido. E Samadhi é a percepção da realidade como ela é.
Para que a verdade sobre o mundo e o Ser possam ser “vistas” diretamente, precisaremos pacificar as águas agitadas de nosso mundo externo e interno, então Samadhi é o resultado natural da pratica inteligente da meditação, visto que Samadhi é a própria contemplação como poderemos comprovar na etimologia da palavra:

Samadhi = samyag- adequado,correto, adhi –contemplação.

Nos textos filosóficos sobre yoga, o assunto principal sempre gravita sobre o como obter Samadhi, lemos no Muktikopanishad:

“Ele é obtido através da prática prolongada de dhyana.”

Gostaria de citar outro texto em que aponta-se a qualidade mental alcançada no Samadhi, quando o observador vê a natureza real do objeto observado e com ele se funde completamente, então observador e observado se dissolvem na observação, lê-se no Amritanadopanishad:

“Quando a consciência atinge um estado no qual se torna uniforme (não dual), isto é Samadhi.”

Assim entendo que neste estado de consciência (tomada de serenidade, atenção descontraída e natural) alcança-se vários graus de percepção da verdade, ou seja, da realidade, daquilo que pode ser visto diretamente. Segundo o yogue Vyasa “Yoga é Samadhi”. O caminho do yoga que leva até o Samadhi é o próprio Samadhi vivido no Sadhana- na disciplina espiritual.

Nos yoga sutras do sábio Patânjali, o cultivo interno é realizado em oito partes (ashtanga sadhana), Iniciando pela observância inteligente da vida (do yogue com ele mesmo, com os seres e meio circundante) chamado Yama e Nyama, seguido pela prática de asana, a estabilização do corpo e também da consciência, pranayama a regulação do fluxo da energia vital e da respiração, não se tratando exatamente de exercícios respiratórios, mas da regulação espontânea da força vital, encaminhando-se para pratyahara a abstração dos sentidos através da introspecção, que flui na direção de Dharana (atenção estável), Dhyana (contemplação meditativa) e finalmente em Samadhi a comunhão.

O Samadhi ainda divide-se em Sabija Samadhi, com diferenciação, quando ainda resta um bija, ou seja, semente, do sentimento de “eu” ou mesmo do objeto aplicado na contemplação, como por exemplo, um mantra, a respiração, as sensações etc. E Nirbija Samadhi, ou contemplação sem nenhuma semente, onde a percepção de qualquer diferenciação termina radicalmente.

Nirbija Samadhi é resultado natural de Sabija Samadhi, como um rio que corre em direção ao mar, vai fluindo no yogue as etapas de Asana, Pranayama, Pratyahara, Dharana, Dhyana, Sabija e Nirbija Samadhi naturalmente. Todas as etapas do caminho podem ser evidenciadas pelo yogue numa única “sentada” para meditar.

Na medida em que o Samadhi, a contemplação adequada da unidade indiferenciada, amadurece e se fortalece no yogue, ele poderá sentir que sua prática não se reduz ao momento de sentar-se em meditação, mas que aquela qualidade mental de equanimidade, serenidade e sensibilidade, passam a lhe acompanhar durante todo o dia, mesmo entre suas atividades. Quando surge no devoto esta recordação espontânea de “si mesmo” chamo-a de Sahaja Samadhi, contemplação natural e sem esforço.

Sahaja é o resultado de Prajna – sabedoria, que é a compreensão das leis naturais que regem o universo. O oceano final em que este rio deságua é Moksha ou Mukti, podemos traduzir estas palavras sânscritas como: libertação espiritual, a saída do ciclo de renascimentos e mortes, para aqueles que acreditam na reencarnação, ou mesmo na quebra da reprodução inconsciente de pensamentos e atitudes condicionadas por valores religiosos, familiares ou sociais, o que também não deixa de ser uma roda de sofrimento da qual precisamos nos libertar.

Mas ainda existe outra qualidade de Samadhi, considerado um Samadhi de tipo superior e que estaria ligado invariavelmente com Moksha ou Mukti , Mahasamadhi , ou grande comunhão, designando o desenlace consciente do corpo físico por um Yogue no momento de sua morte.

Relata o Bhagavad Gita na fala esclarecedora de Krishna:

“… E aquele que deixa a vida mortal e mantém o pensamento fixo em mim( o Ser supremo), somente este, liberto dos vínculos da carne, entra no estado da minha suprema realidade…Aquele, ó filho da Terra, que ao separar-se do corpo material mantiver a consciência focalizada no mundo carnal ou espiritual, atingirá aquele estado com o qual estiver identificado, porque cada um se assemelha ao que ama…Traze-me pois, sem cessar em teu coração e age com valor, na certeza de que também tu me alcançarás, se de mente e alma permaneceres firmado em mim…É esta a senda suprema trilhada por todo homem que fecha os olhos ao mundo objetivo, que domina o seu coração e, pela força vital do prana, aspirado e focalizado entre as sobrancelhas, silenciosamente proferir o eterno OM na consciência de Brahman (Deus ou o absoluto informe)…”

Samadhi é contemplação adequada, contemplação adequada é a aplicação da atenção e sensibilidade livre de preferências e escolha, Samadhi é equanimidade que leva a percepção da Verdade.

E qual é a verdade? De que tudo esta conectado pela força do Amor, de que tudo é unidade e que o destino da Vida é a Plenitude.

Inspirando e expirando oferecendo o fluxo vital à Realidade suprema, exercitamo-nos na contemplação para saber viver, com alegria e amor, e para saber morrer, com devoção e paz!

Viva livremente com a mente livre

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A maioria de nós talvez não tenha a sensação plena de liberdade. Como ser livre num mundo onde assumimos tantos compromissos? Ainda que a maioria deles tenha sido livremente assumido, muitos são os contratos que nossos ancestrais assinaram e nós apenas nos inserimos num pacto social e cultural caduco, que sofreu pouca alteração no tempo. Ainda somos competitivos, agressivos, ciumentos, possessivos. A ideia de que liberdade é poder escolher é meio fajuta, afinal estamos submetidos a modelos pré-determinados de viver, comportar-se e logo ser. As proféticas propagandas de mercado querem determinar o que iremos consumir, e são sempre incisivas:

“você não pode perder”, “você não vai resistir”, “não fique de fora”, “leve agora mesmo”. Dando-nos a falsa sensação de liberdade, oferecendo, no entanto mais do mesmo.

Nascemos livres em certo sentido, e pouco a pouco somos ajustados aos padrões, que nossos pais antes de nós sofreram. Ser livre em termos negativos é não sofrer submissão, não ser escravizado, não estar submetido à servidão. No entanto como fomos demasiadamente reprimidos, abusados, forçados a entrar no “modelo perfeito” fugimos às compras, ao consumismo. Prosperar financeiramente então possibilitaria maior liberdade aos minoritários afortunados. Mas ainda assim, que tipo de liberdade seria esta em que estaríamos cercados de “seguranças” para nos proteger dos menos abastados? O segurança seria a encarnação máxima de nosso desejo mais profundo, de eternizar-se, de permanecer, ainda que todos estejam conscientes de que nossa vida é extremamente frágil e insegura e que cedo ou tarde abandonaremos estas paragens. Podemos ser livres com a recordação de nossa morte iminente?

Ainda que a prosperidade e a abundancia não configure como um patamar a ser alcançado, poderemos não nos sentir livres efetivamente. Ter envolve perder, isto é um fato, não é mal buscar conforto e comodidade, o problema é quando nossa felicidade depende destas condições externas, então não haverá liberdade, pois não podemos controlar a existência com seus altos e baixos.

Liberdade nos remota diretamente para espaço, um campo aberto nos inspira liberdade, de correr, de pular, de gritar, mas a vida moderna nos espreme, aperta, empilha e ainda mais, falta-nos espaço interno. Nossa mente esta abarrotada de afazeres, planejamentos, preocupações e mal se pode respirar. E o peito comprimido, a garganta apertada, a angustia ocupando um espaço muito maior do que gostaríamos; faz-nos servis aos nossos conflitos internos, acabamos reconhecendo que estamos escravos de nossa ansiedade, de nossas magoas, de nossos medos, de nossos vícios e compulsividade, de nossa incapacidade de ser feliz.

Liberdade em sua etimologia, do grego eleuthéria, significava liberdade de movimento, e implicava na possibilidade de movimentar o corpo sem restrições externas. Seria interessante refletirmos também sobre a palavra liberdade em alemão “Freiheit”, que originou a palavra “Freedom” na língua inglesa, e significava “pescoço livre”, clara referencia aos grilhões nos pescoços dos escravos. Finalmente a palavra “libertas” do latim que originou “liberdade” significa “independência”. Em todas estas origens etimológicas encontramos uma situação politica, o direito do ente humano de ir e vir, de comandar seus passos e movimentos em busca de sua própria realização, autonomia e espontaneidade.

Temos no yoga a palavra sânscrita Moksha ou Mukti, como coroamento da pratica da contemplação, a meta da meditação traduz-se por liberação. Entre os budistas existe a palavra Nirvana que no Pali significa soprar-respirar e também liberação, nir-não vana-grilhão. Mas ambas as palavras significando liberdade enfim.

Com a mente livre vive-se livremente!

Esta parece ser uma boa chamada para vender algum tipo de curso de fim de semana que prometa a solução de todos os problemas, mas a meditação não removerá os problemas, ela nos ensina a lidar com eles, e o melhor é que é gratuito, é natural, é o que somos em essência, uma vasta mente vazia e espaçosa. No entanto este espaço não vai ser reconhecido em nossa fragmentada mente superficial, este espaço infinito esta mais além, mais profundo, e será necessário mergulhar em si mesmo para ver diretamente nossa real dimensão como seres eternos e essencialmente livres. Mas a primeira liberdade é justamente mental, liberdade de ver-se a si mesmo com interesse e sem julgamentos, então poderemos realizar Moksha ou Nirvana. A libertação intelectual para ver o mundo tal como ele é. Podemos estar presos em uma imagem congelada de nós mesmos, atendendo aos anseios e projeções de outros, acorrentados na busca de aceitação e reconhecimento, poderemos estar presos em uma maneira condicionada de viver e atuar no mundo, estas são grades invisíveis, mas que fazem sofrer nosso corpo e mente.

Meditamos para resgatar a donzela de nossa alma acorrentada em uma rocha de sofrimento e atormentada pelo dragão do medo e da personalidade, meditamos para dissolver nossos grilhões internos de dor emocional, para romper as grades do apego, e as correntes pesadas da aversão. Meditamos para remover nossa alma da sombria masmorra da ignorância e esquecimento.

Se bem sucedidos teremos a alma livre, leve e plena!

Encerramos com o pensamento vivo de Mahatma Gandhi, mártir da liberdade:

“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”

Vida plena!

Ten years from now or an hour ago – Poems I find somewhere

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Ten years from now or an hour ago

Five years ago the paper, brought to me sad news, That I was out the love of my life (She never even knew.) She was sitting in a diner, When a car crashed through the wall, She and two others— a sister and brothers, Heard their final call Time ole time to no man yields, (or else you’ll pay a price) I knew this thing, when I set off, To save my darling’s life. I needed giggadrives and X-RAY flux and even voltage dividers, But thank the lord I have a job, At the Tri-state Particle Collider I worked all day, and slaved all night, to modify my van Years ticked by, I began to wonder If I’d finish what I began— To the bar I sauntered up And got myself a soda She looked over and said to me Save me sweet casanova (No, focus now there’s work to do and I’m only getting older.) At dawn I woke the day had come, Its time for me to save her, Drag her out the temporal abyss, Against the laws of nature. I warped through time, Skipped through space, And crossed those great divides, Only to wind up double-parked Shirley’s diner, two thousand nine. Deep breath, I’m in, I see her there, In the booth just by the window, Knowing not that in minutes flat, She’d be smashed up by a limo She could tell that something’s wrong Asked me what’s the matter, But I just laughed and played it off, Asked her bout time travel She agreed she’d run away To travel space and time, If an old acquaintance With a volkswagen van ever dropped her a line. As the clock was ticking low, I knew that I must act, I said to her, now come with me, And warned others of the crash We skipped outside and off we went To explore all space and time Ten years from now or an hour ago She just became my bride 

My thoughts on Capitalism – Poems I find somewhere

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My thoughts on Capitalism

Our days burn fast,and we outpace our fate, Reaching for the sky,and grounded by weight, Cut too deep to dream about anything more, Stamp out the light and chase profit 'till dark, Your pockets are deep,and your heart is a farce, Exploiting lives so that you may earn more, Gold leaf and privilege for all who pass GO, Private prisons collect all those you've broke, Because profit is made from things that kill hope, Like starving the poor and selling cheap dope, We know your plans, we've seen them before, Half plastic oceans and GMO corn, Sold for convenience and costing much more, More damage than a rant or song can report, Dead cities or oceans,which one is worse? Tied by the neck to those who jump first, It's those in the back,who's back's strain the worst, Trying without choice to maintain the norm., Their normal's been bought by those who pay more. So raise a cheap glass to great futures gone by, To president and dictators all worldwide, To thank them and their values, For this precocious slide into poverty and need, To you it applies,because your not valued, You've been cast aside, It's often the case for wrong things to seem right. Revolution at hand,let's all grab a gun, let's void all the progress and good that we've won, Because we've lost sight and gave power to few, our statement of greatness no longer seems true, Until one considers another angle or view, Of those who have yachts and hedge funds to boot; "Our incentive is greed,its hard to refute,freedom's unequal for those who bleed blue, The product of a system slated for the few,the worlds too small,so many must loose." Orders of men,strategic and cold, Deciding the futures of those young and old, Forgetting all that shines is not always gold,but something unvalued,at first seeming dull,that's polished and cut,then placed under sun. So polish and cut until rounded to one, Until they believe that your one of them, Until You,yourself see's the old you is gone, Until all of your values are no longer yours, and when nearing the top, you'll know you made big, When all those who knew you say "FUCK YOU PIG!"

Echo’s of a broken heart – Poems I find somewhere

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Echo’s of a broken heart

Broken, Ripped, Dismembered

This is the state of a heart that endured to betrayal.

You can't get close, You don't trust most

You opened your heart, He tore it apart

You delivered your love, You were spat on from above

You watched him leave as you bleed watching the seed of your anguish sprout like thorns piercing through flesh and spirit.

Hurt, pain, agony

These are the only words your lips will taste as your heart is harden from its bitterness.

You refuse to love to avoid the pain as you bask in the dismay of your lonely soul.

Wallowing in the shadows of your misery.

The storm has lasted so long you don't remember the existence of light.

So long you've been in the dark that you no longer know the moon from the sun.

Querendo prazer

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Quantas luzes precisam acender

até você me enxergar?

Quantos sons eu tenho que fazer

pra você me escutar?

E se esses sons forem de gemer

será que assim vão te excitar?

Fazer você enfim me olhar

como mulher que quer prazer

Lonely Happiness – Poems I find somewhere

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Lonely Happiness

Lonely Happiness

When you cry and your tears dry, surrounded by somber crowds it often comes by, scrubbing crude and obscene stains of sorrow hoping it cleans then you might know what loneliness means.

When you are happy and smile by yourself, or are sad, angry and sulk on your own, when you thrive to achieve but are blown to smithereens, then you might know what loneliness means.

When you are showered by love and beauty, listen to music play, but know this stale, numb emptiness is here to stay, A hollow, cold, frozen prisoner like other heartless living machines then you might know what loneliness means.

When you see this life of meaningless persistence, love or hate are no longer relevant or even in existence, and find joy in this freedom of empty screams, then you might know what loneliness means.

When you go through endless horrors of suffering and pain, and realize that there is nothing else to lose or gain, impermanent attachments of meaningless dreams, then you might know what happiness means.

Depressão é pra quem pode!

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Hoje vamos de prosa poética. Uma mistura de fluxo de consciência com cadência e sem sofrência, porque tristeza muita não tira ninguém do lugar. Já diriam os depressivos.

Aliás, hoje eu queria falar sobre eles: os depressivos, tristes, melancólicos, deprimidos, pessoas viciadas em tristeza que curtem uma vibe pra baixo, saca?

Já repararam como isso é doença de gente rica? Nunca vi as empregadas de casa reclamarem que estão com depressão, sem vontade de viver, ou pensando em suicídio. Sempre que esse papo chega até minhas orelhas ele vem de um burgues que não tem onde enfiar dinheiro e reclama da vida…

Construindo casas e sonhos

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Eu nunca escondi de ninguém que uma das paixões da minha vida – no campo do conhecimento  pelo menos. Amo estudar o aproveitamento do espaço, a entrada de luz, as texturas e cores que melhor combinam com os móveis em cada ambiente… Pé direito alto, jardim de inverno, todos esses conceitos arquitetônicos sempre me chamaram muito a atenção, muito antes de eu entender que a arquitetura era uma ciência estudada por serumaninhos 😀

casinha em buziosDesde que mudamos aqui pra cabo frio eu tenho feito várias anotações a respeito das mansões que temos visitado quando papai, mamãe e eu saímos para ir na casa dos vizinhos para jantar ou almoçar… aqui só tem milionário, um casarão mais lindo que o outro. Eu sempre me pego perguntando a respeito dos detalhes, das construções, dos arquitetos que construíram isso, de quem sugeriu aquilo… Percebi que por mais que a pessoa tenha bom gosto e trato com o espaço e com a decoração, a função do arquiteto é fundamental para conseguir um desenho bem ajustado da casa e de seus cômodos.

Dá pra perceber direitinho quando foi o dono metido a besta que ficou dando pitaco na casa e quando foi um arquiteto experiente. A gente já visitou um monte de casas de luxo aqui em búzios e cabo frio – uma mais linda que a outra – mas tem umas que tem uma breguice, uma falta de estilo e de jeito nos materiais, nos cantos, nos detalhes, na combinação de cores, na integração com a natureza, no recebimento da luz do sol, enfim, casas luxuosas e cheia de detalhezinhos mal feitos. Dá um dó danado. Gente com dinheiro acha que sabe de tudo e prefere não pagar um profissional habilitado para fazer suas obras serem de arte!

Eu sempre quis estudar letras por essa minha paixão gigante pela poesia e pelas palavras, mas depois que viemos morar aqui no meio desse monte de milionários e de eu perceber todas as possibilidades da arquitetura uma vez que se tem uma grana para investir no projeto, estou cada vez mais propensa a me formar arquiteta e trabalhar nesse mercado. Estou pensando em procurar algumas referências, fazer uma pesquisinha minha mesmo por enquanto pra ir juntando material de estudo, conteúdo, bagagem para poder tomar essa decisão da maneira mais apropriada, mais centrada, sabe?

E na verdade eu estou pensando em criar uma espécie de arquitetura literal… utilizar os símbolos léxicos – que termo lindo para palavras, não? kkkk – como uma forma de moldar a arquitetura de uma casa, de um cômodo. Tudo é sempre muito geométrico, cheio de ângulos retos e formas conhecidas. Já imaginou uma casa que, vista de cima, forma a palavra amor? Um jardim em forma de S, cheio de curvas? Eu acho que a arquitetura – principalmente essa arquitetura de luxo, de casas e mansões milionárias – poderia arriscar mais, sair um pouco mais dos padrões convencionais. Se tem dinheiro pra investir e ideias para concretizar, porque não juntar as duas coisas e mexer um pouco com os padrões da caretice vigente? Ah, esperem só quando eu for arquiteta…

Eu gosto muito do trabalho do Gaudí, aquele arquiteto de barcelona que é doidão e fez um monte de prédio doido, inclusive aquela igreja enorme, a Sagrada Família. Adoro o jeito que ele explora uma geomretria diferente, cheia de curvas, cheia de canais de vento e de entradas de luz… um trabalho lindo, único e pioneiro no mundo. Pena que os arquitetos das mansões milionárias e das gigantescas casas luxuosas que eu vejo aqui em cabo frio preferiram uma visão bem mais careta e engenheira da arquitetura ao invés de usar o lado artístico da profissão como o Gaudí fez.

É isso! ainda vou ser a arquiteta das estrelas e dos milionários. Já sei de dois jogadores de futebol da Europa que papai entrou em contato para fechar negócio que estão querendo comprar um terrenos e construir suas casas enormes e luxuosas aqui perto da gente em cabo frio ou búzios… falei brincando com ele para ele me contratar como arquiteta e ele super me incentivou. Acho que estou prestes a fazer uma guinada na minha curta vida profissional e começar a enveredar pelo ramo da arquitetura milionária de luxo…

Mas fiquem tranquilos que as poesias continuam sendo minha paixão de sempre! 😀

 

O abraço -Quem é você que sinto perto? Quem é você que bate esperto? Quem é esse? Me admira… -Sou cavaleiro dentro do peito… Estou em busca daquele abraço. O abraço do encontro… Abraço pelo qual me encanto. Abraço que me desperta o sangue. -Em todo abraço encontro alguém Mas amo o abraço do encontro… Por esse também me encanto. -Pois é… este é o abraço que nos une, O que nos tira de nossas casas cinzentas. Esse é diferente, preenche a gente… Da vontade de permanecer abraçado Abraçado… abraçadinho… -O abraço de amizade também é legal. -Mas o abraço do encontro é fenomenal! Nesse abraço sinto a lua cheia… Sinto o mar calmo como um rio. Nesse abraço sinto o perfume da estação desejada… Nesse abraço sinto as flores e seus aromas. Seu apertar… o desejar permanecer abraçado… Seus efeitos e sintomas. -Se nosso dialogo está tão longo quer dizer que o abraço e na pessoa certa? -Bem todo mundo conta que sim, que é assim. -Gostei tanto de você ai do outro lado… Que bate nesse peito, todo descompassado. Gostaria muito de estar mais com você, passear com você. Sentir o sol tão cheio de vida… Olhar o rio tão cheio de lua. Sentir a brisa através destes peitos de carne que nos separa e nos une, Criando assim o vicio do abraço. -Quero seu pulsar perto, em silêncio… Para ao ouvi-lo, me adaptar. Para aí sim caminharmos no mesmo pulsar. Breno C. Ringuier De @bringuier_es #poesiaseafins #comunidadepoetica #poesiameio by poesiaseafins

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#prontofalei

Arquitetura! Sempre pirei

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Uma coisa que eu piro desde pequena é arquitetura.

Tem umas casas que são demais! Vou começar a postar aqui umas coisas que eu piro de ver em arquitetura!

sempre uns casão fudido, claro néCAda ideia… não vejo a hora de montar a minha casinha. Logo logo, depois que sair o espólio do meu avô, acho que vou conseguir me mudar pra cobertura dele em Ipanema… morando sozinha, já pensou? Vai dar pra escrever muuito… lá é muito inspirador!